Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado, representando um marco relevante para Minas Gerais. Em 2024, o comércio entre o estado e o bloco europeu superou US$ 9,3 bilhões, com superávit de US$ 3,1 bilhões, consolidando a União Europeia como o segundo principal destino das exportações do agronegócio mineiro.
O acordo prevê ampla eliminação tarifária. A União Europeia comprometeu-se a zerar tarifas sobre cerca de 95% dos bens importados do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano liberalizará aproximadamente 91% dos bens provenientes da UE, de forma imediata ou gradual, conforme prazos estabelecidos.
O Presidente da Câmara de Comércio Italiana MG, Valentino Rizzioli, avalia que para Minas Gerais, destacam-se oportunidades nos setores do agronegócio — especialmente café, carnes e açúcar — além de minérios e produtos industriais. Do lado europeu, ganham relevância máquinas e equipamentos, veículos, produtos químicos e farmacêuticos, bem como alimentos típicos, como vinhos, azeites, queijos e massas.
A relação histórica entre Minas Gerais e a Itália tende a ser fortalecida, com impacto direto na redução de custos, ampliação do comércio bilateral e maior acesso a tecnologias e produtos de maior valor agregado. O acordo também favorece a competitividade das empresas mineiras no mercado europeu e amplia as exportações italianas para o estado.
Entre os destaques, o café assume papel estratégico. O acordo prevê a eliminação gradual das tarifas sobre café torrado e moído, incentivando exportações com maior valor agregado. Além disso, o capítulo de propriedade intelectual reforça a proteção de indicações geográficas, como “Canastra”, valorizando produtos regionais.
A Itália figura entre os principais parceiros comerciais de Minas Gerais na União Europeia, tanto como destino de exportações quanto como origem de importações, além de ocupar posição de destaque no número de empresas instaladas no estado.
Embora já assinado, o acordo ainda depende de ratificação interna para entrar em vigor. Diante disso, torna-se essencial que empresas e entidades interessadas iniciem desde já um planejamento estratégico para aproveitar plenamente as oportunidades decorrentes desse novo cenário comercial.


